As duas mortes no Pronto- Socorro Municipal da 14 de Março, noticiadas pelo DIÁRIO na quarta-feira, movimentaram diversos setores relacionados à saúde em Belém. Com base no que foi veiculado, a promotora de Justiça de Direitos Constitucionais do Ministério Público do Pará, Suely Cruz, vai instaurar “procedimento administrativo para investigar as denúncias de falta de médicos, medicamentos e equipamentos durante o período de carnaval no PSM”.
A informação foi dada ontem, em nota, pela assessoria de comunicação do Ministério Público. A mesma nota diz que o MP vai solicitar informações sobre as denúncias à direção do PSM. A coordenadora das Promotorias de Justiça Criminais, Lúcia Bueno, também vai requisitar a instauração de inquérito policial para investigar as circunstâncias das mortes.
As famílias de Leonila Barbosa e Mariana Santos, que morreram na última quarta-feira esperando atendimento no PSM, podem procurar a Defensoria Pública caso queiram mover uma ação contra a Prefeitura de Belém, direito que se estende a qualquer cidadão que tenha passado por situação semelhante.
O coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, Márcio Cruz, explica que as mortes no PSM podem ter sido por fatalidade ou negligência. No segundo caso, omissão ou falha profissional, as famílias podem ir à Justiça para que o município seja responsabilizado.
Cristina Carvalho, presidente da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB/PA), disse que “é para ontem” que alguma atitude seja tomada com relação à saúde pública em Belém. Ela diz que a falta de informações sobre o trabalho desenvolvido, tanto no PSM da 14 de Março quanto no PSM do Guamá, é um dos problemas mais graves. “Mesmo sendo um serviço público, nós não podemos nem entrar nos prontos-socorros, nem sequer a imprensa entra”.
Cristina conta que diversas entidades articulam uma agenda comum de ações. “Estamos conversando com o CRM (Conselho Regional de Medicina), com o Sindmepa (Sindicato dos Médicos do Pará) e com o Sindsaúde (Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no Pará) para até amanhã (hoje) termos uma agenda”. A advogada criticou ainda o Conselho de Saúde do Município. “Há uma ausência de fiscalização pelo Conselho que deveria fazer um trabalho constante. É uma responsabilidade grande”, diz Cristina.
>>> Atendimento deixa a desejar
Enquanto o caos na saúde pública de Belém alvoroça gabinetes, histórias como as que vitimaram Leonila Barbosa e Mariana Santos continuam a se repetir nos PSMs de Belém. A dona-de-casa Maria de Fátima Medeiros, 60, esperava ontem por uma ambulância em frente ao PSM do Guamá.
Fátima pediu para levar a irmã, internada desde segunda- feira no PSM após sofrer um derrame cerebral, para o Hospital da Ordem Terceira, onde ela já ficara antes e fora bem tratada. “Minha irmã está numa maca no corredor desde que chegou aqui. O médico só passou na terça-feira e depois nunca mais, nem sabemos qual é o estado dela”, conta Fátima.
Após quatro dias acompanhando a irmã no PSM do Guamá, Fátima conta sobre outros casos que assistiu nesse período. “Já foram três mortes aqui. Hoje (ontem) de manhã, um senhor morreu no corredor, bem pertinho da minha irmã”. A técnica de enfermagem Maura Barroso, que acompanhava o cunhado no PSM do Guamá, contou 30 pessoas em macas nos corredores.
Maura também aguardava a ambulância para levar o cunhado ao Hospital da Ordem Terceira. Ele estava desde sexta-feira no PSM do Guamá esperando por um leito para fazer uma limpeza cirúrgica no pé, por conta de um ferimento de calo que complicou por causa da diabetes. Maura se revoltou quando ligou para a central de leitos e lhe disseram que ela tinha de esperar, pois “por causa do feriado prolongado, os médicos esqueceram de vir dar alta a pacientes”.
“Quer dizer que porque um médico esqueceu que é médico no Carnaval, pacientes que precisam de um leito ficam ‘a ver navios’ e outros que podiam estar indo pra casa têm que continuar no hospital”, indignou-se Maura.
>>> Paciente morre no PSM do Guamá
O movimento estava aparentemente mais calmo na manhã de ontem no Pronto- Socorro da 14 de Março, no primeiro dia após o feriadão do carnaval. As pessoas que estavam do lado de fora do hospital afirmaram ter conseguido atendimento. Já no Pronto- Socorro do Guamá, o paciente Manoel da Vera Cruz Silva, que estava internado desde domingo com problemas intestinais, morreu ontem. A filha dele, a técnica de enfermagem Anete Martins, apontou problemas no atendimento e falta de medicação adequada.
Segundo Anete, o PSM do Guamá está um caos e não há quase comunicação entre médicos e as famílias dos pacientes sobre diagnósticos e procedimentos. Disse que há pessoas que esperam cirurgias há três dias, inclusive uma com apendicite. “Até as enfermeiras e assistentes sociais tentam falar das nossas necessidades para eles e não conseguem resposta. Não digo isso nem mais pelo meu pai, porque ele já se foi, mas pelos outros”, afirmou chorando muito.
Ela conta que durante todos os dias em que esteve no hospital, Manoel ficou no corredor mesmo sendo cardiopata (“coração grande”). “Eu mesma estava sempre verificando a pressão e os níveis de glicose no sangue dele por causa desse problema”. Manoel vivia em Cametá, a 150 quilômetros de Belém, e estava na capital há mais de um mês. Anete conta que o pai tinha feito exames no Hospital das Clínicas que apontaram boas condições cardíacas e pulmonares.
“O problema era o intestino, pois ele não conseguia evacuar há mais de 20 dias. Tentei tratá-lo em casa com mudanças na alimentação e laxantes, mas não consegui. Por isso, trouxe ao hospital”. De acordo com Anete, os médicos teriam dito que ele estava com um fecaloma que não se desmanchava e que precisava aumentar os níveis de potássio para melhorar o trânsito intestinal.
A Sesma informa que o paciente Manoel da Vera Cruz Silva, que estava internado desde o dia 22 de fevereiro no PSM do Guamá, morreu na madrugada com infecção generalizada. O mesmo já estava há 15 dias sem evacuar e nele foram realizados os seguintes procedimentos: lavagem intestinal, raio X, exame laboratorial, tomografia abdominal, toque retal, além de passar por avaliação cirúrgica.
A Sema informou que no domingo, 22, por causa da falta do especialista em traumatologia, os pacientes do PSM da 14, que precisaram de atendimento nessa área, foram encaminhados à Clínica dos Acidentados.
O médico pediatra que falou ao plantão de domingo alegou problema de saúde. Sobre a reclamação de carência de NPP (Nutrição Parenteral Total), a direção do PSM da 14 esclareceu que esse material está sendo adquirido pela Sesma e que se encontra em processo licitatório. (Diário do Pará)
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A SITUAÇÃO DA SAÚDE É PROBLEMA DOS MUNICIPIOS, ESTADOS E GOVERNO FEDERAL, AGRAVADA PELO FATO DE QUE MUITOS MEDICOS E HOSPITAIS USAM DE TODOS OS ARTIFÍCIOS POSSÍVEIS PARA FRAUDAR O SUS. É UMA CURRIOLA!!!!!!!!!!

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