DOURADOS – A idosa Flora Mantovani Alves, de 63 anos, esteve na Redação de O PROGRESSO para reclamar de um problema que vem tirando o sossego de muita gente em Dourados. O descaso no atendimento no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). "Fui mal atendida e tive o auxílio-doença cortado", disse ela.
Flora conta que no dia 29 de outubro, foi até o INSS para fazer a perícia médica em busca do auxílio-doença. Ela tem hérnia de disco e problema de varizes nas pernas. Garante que não pode trabalhar porque não suporta as dores na coluna vertebral.
"Fiz vários exames e todos comprovaram o meu problema. O benefício foi cortado em fevereiro. Consegui receber dois meses, em julho e setembro deste ano, depois disto não consigo comprovar minha incapacidade para o trabalho, apesar de ter os laudos", lamenta.
No entanto, Flora que há 10 anos sobrevive da venda de tapetes e mel, relata que a situação dela não é a pior. Segundo ela, no mesmo dia em que esteve no INSS encontrou um senhor que enfrentava um problema maior. "Ele mostrou-me um monte de exames que comprovam que ele tem um câncer de boca. Fiquei muito comovida com a situação deste senhor e decidi procurar a imprensa", afirma.
De acordo com ela, que mora na rua Pedro Rigotti no Jardim São Pedro, o médico perito do INSS negou o auxílio-doença para este idoso. "Achei uma falta de compaixão. Este senhor me disse que não come há meses. Ele se alimenta de líquidos porque o câncer atingiu a garganta. O que é preciso para que ele consiga comprovar que não pode trabalhar. Até quando nós idosos teremos que passar por constrangimentos como esse? Não estamos mendigando, estamos exigindo um direito nosso", reclama.
INSS
O gerente do INSS, região da Grande Dourados, Francisco Carlos Silva, explica que o médico perito cumpre a função de apenas identificar se a doença do segurado o impossibilita para o trabalho. "Não questionamos se as pessoas tem ou não a doença, mas, investigamos se esta doença a impede de trabalhar", esclarece Francisco.
No caso de Flora, conforme o gerente, o que pode ter acontecido é que os exames por ela apresentados não convenceram o perito que a hérnia de disco a impede de desempenhar sua função no mercado de trabalho. "Recomendamos que ela faça a reclamação no 135 do INSS para que possamos apurar a denúncia. Ela pode citar o nome do perito e a gente vai investigar o caso. Se necessário, vamos encaminhar para avaliação de outro médico", garante o gerente.
ATÉ QUANDO FICAREMOS MUDOS??

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